104 jogos, 48 seleções e diferentes formas de interpretar o jogo.
Terminado o Mundial 2026, a FIFA reuniu o seu Technical Study Group e o Football Performance Insights Department para analisar aquilo que aconteceu ao longo da competição.
O trabalho cruzou a observação dos especialistas com dados de tracking de jogadores e bola e análise de vídeo, passando pela construção, progressão, ocupação dos espaços, pressão, organização defensiva e momentos de transição.
Das várias áreas exploradas no relatório, selecionámos as 9 tendências que melhor mostram como o jogo evoluiu neste Mundial:
01. Construção com linha de três
02. Rotações dos jogadores exteriores
03. Mudança do ponto de ataque
04. Ataque à profundidade através dos corredores interiores
05. Jogadores-chave na progressão do jogo
06. Transições ofensivas
07. Contrapressão
08. Pressão alta estruturada
09. Blocos defensivos baixos organizados
Ao longo desta Nota vamos percorrê-las uma a uma, cruzando os dados apresentados pela FIFA com exemplos do próprio torneio para perceber como se manifestaram em campo.
Começamos pela primeira fase de construção.
01/09 — Construção com linha de três
A construção com três jogadores foi uma das estruturas mais presentes no Mundial. Segundo a FIFA, 63% das seleções (30 das 48) utilizaram uma linha de três na primeira fase de construção em algum momento da competição.
A presença de três jogadores na primeira linha ajudava a criar superioridades perante a pressão adversária e aumentava as possibilidades de encontrar jogadores para lá dessa primeira linha. Os dados acompanham essa ideia: as equipas que construíram com três tentaram mais quebras de linha do que aquelas que construíram com dois (39,8 contra 38,1 por 30 minutos de posse).
A diferença, no entanto, é curta. A própria FIFA sublinha que não encontrou evidência de que uma estrutura fosse, por si só, mais eficaz do que a outra. O valor da linha de três esteve na intenção com que cada equipa a utilizou e na forma como a ajustou às características dos seus jogadores e ao adversário.
Esta estrutura também dava liberdade aos centrais exteriores para avançarem e ocuparem posições mais altas e largas, acrescentando novas possibilidades de progressão.
3+1 ou 3+2?
A FIFA identifica duas organizações a partir desta linha de três.
No 3+1, um único pivô posicionava-se à frente, permitindo libertar mais um jogador para zonas adiantadas. A Alemanha utilizou esta organização nos quatro jogos que disputou: Joshua Kimmich, a partir da lateral direita, fechava a linha de três e assumia um papel central na progressão, enquanto Nathaniel Brown entrava por dentro a partir da esquerda para criar superioridades em zonas centrais.
A Argentina chegou ao 3+1 de outra forma. A estrutura base foi a linha de dois, mas nos oitavos, quartos e meias-finais Paredes baixou entre os centrais para formar a linha de três. Segundo a FIFA, essa adaptação foi acompanhada por um aumento da posse de bola, das entradas no último terço e das entradas na área.
No 3+2, a presença de dois jogadores à frente da primeira linha oferecia maior presença no meio-campo e maior segurança defensiva. O Japão apresentou uma versão mais flexível desta estrutura, através de rotações entre jogadores do meio-campo e da linha defensiva.
A construção com três tinha ainda impacto no momento seguinte: quando a equipa conseguia progredir mantendo três jogadores atrás da bola, criava uma estrutura de segurança mais preparada para controlar uma eventual perda e contrapressionar.

02/09 — Rotações dos jogadores exteriores
A segunda tendência está relacionada com a forma como laterais e extremos alternaram entre os corredores exteriores e interiores durante a construção, progressão e chegada ao último terço.
No Mundial 2026, 26,0% das receções dos jogadores exteriores aconteceram dentro da estrutura defensiva adversária, o valor mais elevado dos últimos três Mundiais: 23,5% em 2022 e 23,4% em 2018.
A FIFA identificou duas rotações principais.
Na inversão do lateral, o lateral ocupava uma posição mais central, acrescentando uma solução de passe interior e permitindo ao extremo permanecer alto e largo.
Na inversão do extremo, era o extremo que entrava nos corredores interiores, libertando espaço para a projeção do lateral por fora.
Nove seleções utilizaram laterais invertidos e dez recorreram a extremos invertidos, existindo também equipas que alternaram entre as duas soluções.
O que procuravam criar estas rotações?
A entrada de um jogador exterior em zonas centrais podia criar superioridade no meio-campo e novas linhas de passe, mas também provocar uma resposta defensiva. Ao atrair uma referência para dentro, surgia espaço exterior para o colega receber mais isolado, atacar em 1x1 ou chegar a zonas de cruzamento e cut-back.
As duas inversões não tinham exatamente a mesma função. Segundo a observação da FIFA, os extremos que entravam por dentro recebiam e faziam progredir o ataque com mais frequência, enquanto os laterais invertidos realizavam sobretudo uma troca posicional para ocupar e condicionar a defesa adversária.
A FIFA registou menos posses com laterais e extremos invertidos do que nos Mundiais anteriores, mas uma percentagem maior dessas posses terminou com sucesso (entrada no último terço, cruzamento, entrada na área ou remate) do que em 2018 e 2022. Menos volume, mais eficácia.
Os casos de Canadá, México e Espanha mostram diferentes formas de aplicar a mesma ideia. O Canadá utilizou laterais invertidos nos dois corredores; o México apresentou relações diferentes de cada lado, combinando a entrada interior de Quiñones com a largura de Alvarado; e a Espanha alternou quem ocupava os espaços interiores e exteriores através das relações entre lateral e extremo.
A estrutura podia mudar, mas a intenção mantinha-se: alternar quem ocupa o corredor interior e quem garante a largura para manipular referências defensivas e criar espaço para progredir.

03/09 — Mudar o ponto do ataque
Outra das tendências identificadas foi a utilização da mudança do ponto de ataque para deslocar a estrutura defensiva e encontrar espaço para progredir e criar.
Ao longo da competição, as equipas registaram, em média, 57 mudanças por cada 30 minutos de posse, ligeiramente abaixo de 2022 (60,9). A FIFA associa essa descida a posses mais longas e a um maior tempo passado contra blocos baixos, o que dava aos atacantes mais tempo com bola e tornava cada mudança mais demorada.
O impacto, no entanto, foi além da circulação: 22,7% dos remates e 20,1% dos golos surgiram em posses que incluíram uma mudança do ponto de ataque. Cerca de um em cada cinco.
As equipas chegaram ao corredor contrário de formas diferentes. Algumas, como Egito, Uzbequistão, Uruguai e Colômbia, procuraram sobretudo mudanças diretas, com passes longos. Já Espanha, Argentina e Brasil recorreram mais à recirculação da posse, envolvendo vários jogadores e passes mais curtos por zonas centrais para deslocar progressivamente o bloco adversário. A Argentina foi a seleção que mais golos marcou a partir destas posses (cinco).
A intenção também variava consoante a fase do jogo. Na construção, a mudança permitia aliviar pressão, conservar a posse e atrair o adversário para um lado. Em progressão, procurava explorar o espaço contrário antes da reorganização defensiva. No último terço, servia para deslocar blocos compactos e criar melhores condições para atacar.
Para quem analisa, interessa sobretudo o timing da mudança: reconhecer quando o adversário já foi suficientemente atraído para explorar o espaço contrário antes de a estrutura defensiva recuperar.

04/09 — Atacar a profundidade através dos corredores interiores
Perante blocos cada vez mais compactos, uma das tendências identificadas foi a utilização das corridas nos corredores interiores para atacar o espaço nas costas da linha defensiva.
O número total de corridas de profundidade diminuiu face a 2022, mas a proporção das que partiram dos corredores interiores subiu 3,5 pontos percentuais. Menos corridas no total, mais concentradas no espaço entre lateral e central.
E o impacto também cresceu. As posses com uma corrida interior terminaram com sucesso em 36,3% dos casos (entrada na área, remate ou canto), contra 30,9% em 2022, e em entrada na área em 23,7%, contra 20,2%. Há ainda um dado que reforça o seu peso competitivo: as dez seleções que mais remates criaram a partir de corridas interiores recebidas diretamente chegaram todas aos oitavos de final.
O relatório identifica duas utilizações principais. Na penetração direta, o jogador ataca o espaço entre lateral e central, ou nas costas da última linha, procurando receber. Nos movimentos de arrastamento, a corrida procura provocar uma resposta defensiva, afastar jogadores da última linha e criar espaço para outro colega.
A intenção também variava consoante o contexto. Na construção, estas corridas ajudavam a atacar linhas mais altas e a oferecer uma solução nas costas da pressão. No último terço, foram muito mais frequentes, com 2,67 corridas por minuto de posse, contra 0,85 na construção, e ganharam importância na manipulação de blocos mais baixos e compactos, muitas vezes através de corridas de arrastamento.
O movimento podia partir de diferentes posições. Avançados, médios e até laterais apareceram entre os jogadores com maior volume de corridas interiores, reforçando uma ideia importante: o corredor interior tornou-se um espaço de chegada para diferentes jogadores, dependendo das relações criadas pela equipa.

05/09 — Jogadores-chave na progressão do jogo
Uma das diferenças mais claras na progressão apareceu na relação entre onde as equipas recebiam e onde conseguiam efetivamente quebrar linhas.
No Mundial 2026, 41,9% das receções aconteceram nos corredores exteriores, contra 25,9% nos corredores centrais, uma proporção de 1,6 para 1. A diferença aumentou nas quebras de linha: 61,6% aconteceram por fora e apenas 13,6% pelo corredor central, uma proporção de 4,5 para 1.
Perante estruturas defensivas compactas, progredir por dentro era mais exigente. As distâncias curtas entre defensores permitiam que vários jogadores protegessem o espaço entre setores. Nos corredores exteriores existia maior espaço para receber, orientar e transportar, além de mais oportunidades para criar situações de 1x1 e atacar o espaço nas costas. Segundo o relatório, uma receção exterior convertia-se em quebra de linha cerca de 2,8 vezes mais do que uma receção central.
Mas progredir por fora não significava necessariamente construir por fora.
Brasil e Costa do Marfim procuravam inicialmente envolver a estrutura adversária através de zonas centrais antes de deslocar o ataque para os corredores. A intenção era criar condições para que jogadores como Vini Jr. e Yan Diomande recebessem com espaço e pudessem transformar essa vantagem através do transporte e do 1x1.
O peso destes jogadores na progressão foi evidente: Diomande esteve envolvido em 50,8% das posses progressivas da Costa do Marfim, o valor mais alto da equipa, e Vini Jr. em 49,8% das do Brasil. A FIFA destaca ainda que ambos ficaram claramente acima da média dos jogadores da mesma posição em envolvimento em posses com desfecho de sucesso.
Os corredores exteriores ofereceram, assim, melhores condições para transformar uma receção em progressão efetiva. A estrutura permitia criar o espaço, mas o perfil do jogador que recebia nesse espaço condicionava a capacidade da equipa para o explorar.

06/09 — Transições Ofensivas
A percentagem de tempo em posse passada em transição ofensiva praticamente não mudou relativamente a 2022, mas o impacto desses momentos aumentou.
No Mundial 2026, as equipas produziram mais 0,53 remates e mais 0,62 receções na área por cada 60 minutos de bola em jogo após uma transição ofensiva, comparativamente a 2022. O nível máximo de ameaça atingido nestas posses (peak threat, a medida da FIFA para o momento mais perigoso de cada posse) também subiu.
O local da recuperação condiciona a transição
A proporção de transições iniciadas no terço médio desceu 4,6 pontos percentuais, enquanto aumentaram as iniciadas nos terços defensivo e ofensivo. A FIFA liga esta mudança ao maior tempo passado em bloco baixo, uma tendência que vamos ver mais à frente.
A partir de zonas baixas, equipas como Cabo Verde e Paraguai procuravam frequentemente uma primeira ligação direta para sair da pressão e explorar o espaço disponível. No terço médio, com menos espaço e tempo, aumentava a importância da velocidade da primeira ação e das combinações rápidas por dentro antes de atacar os corredores.
Outras seleções preparavam a transição antes de recuperar a bola. Argentina e França mantinham jogadores como Messi e Mbappé mais desligados do bloco defensivo, garantindo uma saída imediata contra uma defesa ainda desorganizada.
A forma de progredir também dependia dos perfis disponíveis. Algumas equipas privilegiaram o passe progressivo, enquanto outras recorreram mais à condução. Portugal e Brasil procuraram frequentemente os corredores centrais, enquanto Estados Unidos, Canadá e Costa do Marfim exploraram mais jogadores exteriores capazes de transportar e atacar a profundidade.
A relação com a organização defensiva é igualmente importante. Um bloco baixo oferece mais campo para percorrer após a recuperação, enquanto recuperações mais altas reduzem a distância até à baliza.
Em ambos os casos, a eficácia da transição dependia da capacidade de reconhecer e explorar o espaço disponível antes de o adversário recuperar a sua organização.

07/09 — Counterpressing
Menos contrapressão, maior eficácia
A FIFA considera contrapressão qualquer pressão iniciada nos dois segundos seguintes a uma perda de bola em jogo corrido no meio-campo ofensivo.
No Mundial 2026, as equipas fizeram contrapressão em 49% das perdas elegíveis, abaixo dos 52,7% de 2022 e dos 53% de 2018.
Apesar da redução, a percentagem de fases que terminou em recuperação subiu ligeiramente, para 15,1% (14,6% em 2022). Também diminuiu a capacidade do adversário progredir: apenas 24,7% das situações de contrapressão permitiram chegar ao último terço nos 15 segundos seguintes, contra 28,8% em 2022.
Os dados apontam, portanto, para uma contrapressão menos frequente, mas mais eficaz. E mostram que o sucesso não se mede apenas pela recuperação: obrigar o adversário a recuar, empurrá-lo para a linha lateral ou forçar um passe longo sem controlo também é contrapressão bem-sucedida.
Recuperar mais rápido e mais alto
43% das recuperações através de contrapressão aconteceram nos primeiros três segundos. Ao mesmo tempo, a proporção de fases iniciadas no último terço subiu 4 pontos percentuais, e a de recuperações nessa zona 3,9.
A FIFA associa esta subida ao maior uso de blocos baixos: contra adversários mais recuados, as perdas acontecem mais perto da baliza. E a localização ajuda a explicar a eficácia: mais jogadores próximos da bola, menos espaço disponível para o adversário e menores distâncias para pressionar.
A contrapressão prepara-se com bola
A capacidade de reagir imediatamente à perda está diretamente relacionada com a organização ofensiva anterior. A estrutura de rest defence, a proximidade entre jogadores e a altura da última linha condicionam quantos jogadores estão em posição para pressionar.
A Espanha é o melhor exemplo: fez contrapressão em 60,1% das perdas elegíveis, o valor mais alto da competição, e terminou com 39 recuperações através deste comportamento, mais nove do que a França, a segunda melhor. Quase metade aconteceu entre um e três segundos depois da perda. O efeito viu-se também na baliza: a campeã do mundo concedeu apenas 0,31 xG por jogo, o valor mais baixo do torneio.
A tendência parece estar menos na quantidade de vezes que uma equipa reage à perda e mais nas condições que cria com bola para pressionar eficazmente quando a perde.

08/09 — Pressão alta estruturada
A utilização da pressão alta manteve-se estável face a 2022 (4,7% do tempo sem bola, contra 4,6%), mas acima de 2018 (3,0%). A evolução mais interessante apareceu na forma como as equipas pressionaram: referências individuais, estruturas híbridas, triggers específicos e maior coordenação entre setores.
O pontapé de baliza como momento para pressionar
Em jogo corrido, as equipas pressionaram alto em média 6,8% das posses adversárias. Perante pontapés de baliza curtos, esse valor subiu para 13,9%, mais do dobro, e acima dos 12,3% de 2022 e dos 7,0% de 2018.
A primeira receção funcionava como trigger, com uma relação estrutural entre os dois avançados: um pressionava o portador, o outro retirava a solução seguinte, enquanto os médios encurtavam e o lado contrário fechava por dentro para impedir variações curtas. A FIFA registou um aumento de 10,1 pontos percentuais nas situações com dois ou mais jogadores a pressionar a menos de 20 metros do pontapé de baliza, muitas vezes posicionados à entrada da área.
O efeito foi visível em quem construía: a percentagem de pontapés de baliza curtos em que a equipa manteve a posse nos dez segundos seguintes desceu 6 pontos percentuais face a 2022.
Esta coordenação estendia-se à última linha. Desde 2018, a altura média da linha defensiva durante a pressão alta tem aumentado (44,7 m em 2018, 46,4 m em 2022 e 47,2 m em 2026), reduzindo o espaço entre setores e dificultando a possibilidade de o adversário encontrar jogadores livres atrás da primeira pressão.
Diferentes formas de organizar a pressão
O relatório identifica duas soluções com presença relevante. Na pressão homem a homem, cada jogador assume uma referência adversária, procurando retirar soluções curtas e provocar um passe longo ou um erro. A França usou-a de forma seletiva em jogo corrido: mantinha-se compacta em 4-4-2 e só saltava para referências individuais perante um trigger claro, como um passe para trás do adversário.
Nas estruturas híbridas, as equipas preservam referências zonais e ativam comportamentos individuais perante determinados triggers, com os restantes jogadores a ajustarem a estrutura. Normalmente através de um "jogador híbrido", com a dupla função de cobrir espaço ou assumir uma referência consoante o momento.
A Espanha foi o exemplo de pressão híbrida destacado pela FIFA e terminou o torneio com a maior percentagem de tempo sem bola em pressão alta, 9,4%, combinando uma estrutura central compacta com pressão agressiva sobre os recetores.
A tendência aponta para uma pressão alta cada vez mais dependente da coordenação entre altura do bloco, referências, triggers e coberturas, para que a ação de um jogador seja acompanhada pelo movimento coletivo.

09/09 — Blocos defensivos baixos organizados
O bloco baixo teve maior presença no Mundial 2026. As equipas passaram mais 4,2 pontos percentuais do tempo sem bola nesta organização comparativamente a 2022, o equivalente a mais 1 minuto e 55 segundos por jogo.
E a subida não se explica apenas pelas seleções menos cotadas: 19 das 26 seleções presentes nos dois torneios aumentaram a sua utilização, e equipas como Japão e Austrália, ambas no top 30 do ranking mundial, estiveram entre as cinco que mais tempo passaram em bloco baixo. Para muitas equipas, o bloco baixo deixou de ser apenas uma forma de sobreviver e passou a ser uma escolha estratégica.
Mais compactos e com menos espaço entre setores
A principal transformação esteve na compactação. A área média ocupada pelas equipas em bloco baixo diminuiu 118 m², sobretudo através da redução da profundidade: de 24 metros em 2022 para 21,1 metros em 2026.
Os avançados aproximaram-se do restante bloco e 23 das 26 seleções presentes nos dois Mundiais defenderam de forma mais compacta, reduzindo o espaço disponível nas zonas centrais e dificultando a progressão por dentro.
Diferentes formas de proteger o espaço
A maior compactação não significou que todas as equipas defenderam da mesma forma. Japão e Austrália recorreram a linhas de cinco para proteger a largura sem perder densidade por dentro. Paraguai e Países Baixos ajustaram a forma do bloco consoante a ameaça adversária. Outras equipas aceitaram conceder determinados espaços para reforçar a proteção de zonas consideradas prioritárias.
A Colômbia é o melhor exemplo desta última abordagem. Protegia o corredor central e deixava o adversário ter bola por fora, sendo a quarta equipa que mais cruzamentos sofreu por minuto em bloco baixo. Mesmo defendendo com poucos jogadores na área no momento do cruzamento, sofreu apenas uma finalização nos 7,5 segundos seguintes aos 19 cruzamentos enfrentados em jogo corrido. A diferença estava na clareza das responsabilidades: laterais nos duelos exteriores, centrais e lateral contrário a fechar a baliza, médios a ganhar as segundas bolas à frente da linha.
O bloco baixo também podia preparar o momento seguinte à recuperação. Argentina, França e Noruega mantinham jogadores-chave em posições de rest attack, disponíveis para explorar a transição e obrigando o adversário a equilibrar a presença ofensiva com a proteção do espaço que deixava atrás.
O relatório mostra, assim, blocos baixos mais presentes, mais compactos e adaptados à ameaça adversária, onde defender implicava também decidir quais os espaços que cada equipa estava disposta a conceder.

O que fica destas 9 tendências?
Se há uma ideia que atravessa o relatório, é que não existiu um único caminho para ter sucesso. A FIFA repete-o em vários capítulos: nenhuma estrutura de construção é superior por si só, e não há uma única forma de contrapressionar com eficácia. Seleções muito diferentes chegaram longe com pressões altas agressivas, blocos baixos compactos ou transições rápidas.
O que mudou foram as respostas. Os problemas mantêm-se os mesmos: como progredir perante estruturas mais compactas, como criar espaço, como pressionar de forma coordenada e como controlar os momentos de transição.
E as nove tendências mostram que esses problemas não se resolvem em separado. A linha de três que constrói é a mesma que sustenta a contrapressão. O bloco baixo que protege a área é o mesmo que prepara a transição. Para quem analisa, é aqui que está o valor deste estudo: perceber que problema cada equipa está a tentar resolver antes de classificar a solução que escolheu.
Estas nove tendências são apenas uma parte do trabalho desenvolvido pela FIFA. O estudo completo tem mais de 500 páginas e aprofunda cada uma destas dinâmicas através de dados, imagens, vídeos e casos de estudo de diferentes seleções, incluindo dois temas que ficaram fora desta Nota: a evolução do guarda-redes e as estratégias de cantos ofensivos.
Se quiseres o link direto para o estudo completo, responde a este email apenas com a palavra WORLDCUP e eu envio-to.