Na semana passada escrevi sobre o erro de assumirmos que percebemos de futebol mais do que percebemos de facto.
Esta semana percebi que esse erro não desaparece quando entramos no profissional.
Continua. Só muda de forma.
Quanto mais experiência acumulas, mais fácil é construir uma bolha à volta do teu próprio pensamento. Começas a confiar demasiado na tua leitura. Deixas de questionar os teus processos. E sem te aperceberes, o que foi uma vantagem começa a ser um limite.
Construir o Inside esta semana foi um exercício constante de humildade.
Trazer mais do que eu
Tenho oito convidados confirmados para as masterclasses mensais do Inside.
Quando comecei a pensar em quem queria trazer, a primeira tentação foi ir buscar pessoas com percursos parecidos com o meu. Contextos que conheço, linguagens que partilho, referências comuns.
Mas isso seria um erro.
O que eu quero para quem está dentro do Inside não é afunilar conhecimento. É o oposto. Quero expor as pessoas a pensamento de alto nível em diferentes realidades, diferentes contextos, diferentes formas de resolver os mesmos problemas.
Dentro de um clube percebes rapidamente que a qualidade da decisão depende da qualidade do debate que a precede. E debate a sério exige perspetivas diferentes, não confirmação do que já pensas.
É isso que as masterclasses vão trazer ao Inside. Não uma voz. Oito perspetivas de pessoas que trabalham a um nível que justifica estar aqui.
A minha sozinha não chega. E nunca fingi que sim.
A ferramenta que incomoda
Esta semana terminei a ferramenta interativa do Método Analyst OS e enviei para os primeiros utilizadores testarem.
Quando a fechei, senti orgulho. Mas não o orgulho de ter feito algo bonito.
O orgulho de ter construído algo que incomoda.
Esta ferramenta não foi desenhada para ser agradável de percorrer. Foi desenhada para forçar quem a usa a olhar para dentro, a questionar o seu processo, a auto-avaliar-se com honestidade.
A perceber onde está realmente, não onde acha que está.
Isso é desconfortável. E tem de ser.
Porque o crescimento real começa sempre no mesmo sítio: no momento em que paramos de assumir que o nosso nível é suficiente. Foi isso que escrevi na semana passada. E é isso que esta ferramenta força a confrontar.
Vai estar disponível dentro do Inside para todos os membros.
O que vem esta semana
Esta semana o foco vai ser a base de dados tática.
A ideia é simples: uma biblioteca organizada de clips reais, categorizada por momento de jogo — organização defensiva, organização ofensiva, transições, bolas paradas — que vai sendo alimentada ao longo do tempo. Um recurso que qualquer analista ou treinador pode usar para estudar, preparar e decidir melhor.
Quero chegar ao final desta semana com a estrutura definida e os primeiros clips carregados.
E aqui quero convidar quem está a ler.
Se tens clips de qualidade, esquemas táticos interessantes ou momentos individuais de destaque que achas que fazem sentido numa base de dados deste tipo, fala comigo. Quero perceber quem quer fazer parte da construção disto.
Quem contribuir com material de qualidade vai ser reconhecido dentro do Inside. Responde diretamente a este email.
Faltam duas semanas
Nas próximas duas semanas continuo a mostrar-te o que está a ser construído. Na última edição, antes de o Inside abrir, mostro-te exactamente para onde tudo isto está a caminhar.
Há 58 pessoas à tua frente na lista de espera.
O link está aqui → [link waitlist]