Há uma coisa que nunca escrevi aqui.
Não por vergonha. Mas porque ainda estava a processar.
Agora que a época acabou, é altura de o fazer.
O meu filho acabara de nascer quando o telefone tocou.
Era uma proposta de trabalho. Financeiramente muito boa. O tipo que não se recusa facilmente. Fora de Portugal, contexto competitivo, tudo o que qualquer analista profissional quer ouvir.
Estava sentado numa cadeira de hospital com ele ao colo quando li a mensagem.
E foi exatamente aí que o peso da decisão me caiu em cima.
Quando tens um filho, o que está em jogo muda completamente.
Já não estás só a pensar em ti. Estás a pensar em alguém que depende de ti a cem por cento. E uma proposta financeiramente forte, nesse momento, não é só dinheiro. É segurança. É a sensação de que estás a cumprir o teu papel.
Do outro lado da balança estava a Analyst OS. Seis meses de existência. Sem garantias. Sem salário fixo. Construída do zero, sozinho, em silêncio. Sem saber ainda se alguém estava realmente a ouvir.
E havia algo que a proposta não dizia explicitamente mas que eu sabia: se aceitasse, abdicava de estar perto do meu filho da forma que quero estar.
Fiquei dias com isso.
Disse que não.
Não foi uma decisão limpa. Seria mentira dizer que foi.
Ao longo de mais de uma década em contexto de clube, percebes que o teu trabalho se perde na estrutura. Contribuis para algo maior mas raramente vês a linha direta entre o que fazes e o que muda.
Aqui vês.
Há uma linha direta entre o que eu faço e o que muda na vida de cada um deles.
Há algo concreto. Não é teimosia. Não é romantismo em relação ao projeto.
É o que já está a acontecer.
A newsletter cresce. Os conteúdos geram interação real, as pessoas respondem, questionam, aplicam o que lêem. Jogadores a trabalhar connosco. Sessões de consultoria a treinadores e analistas que voltam com resultados concretos.
Hoje, menos de um ano depois, são mais de 600 subscritores, mais de 10 jogadores ativos e mais de 50 sessões dadas. Em Fevereiro ainda não eram estes números. Mas já eram suficientes para eu saber o que estava a construir.
Isso é mais raro do que parece. E nenhum contrato me conseguia dar isso.
Houve semanas de dúvida. Houve momentos em que o silêncio pesava mais do que devia.
Houve decisões difíceis que ninguém viu.
Mas esta primeira época da Analyst OS confirmou uma coisa que eu precisava de confirmar.
Que era capaz.
Não de publicar conteúdo. Não de construir uma audiência. De construir algo com fundação real. Algo que resolve problemas reais a pessoas reais que vivem dentro do futebol.
E é a partir dessa certeza que o próximo capítulo começa.
Chama-se Inside Analyst OS.
Não é um curso. Não é mais conteúdo solto numa plataforma.
É o espaço onde o processo real de um analista profissional passa a ser acompanhado de perto, semana após semana. Para quem quer evoluir de verdade e não apenas consumir.
Nos próximos dias vais perceber exatamente o que isso significa.
O próximo episódio está quase pronto.
O futebol joga-se com a cabeça. As pernas estão lá para ajudar. - Johan Cruyff
Até para a semana.